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PROGRAMA DE AJUDA HUMANITÁRIA PSICOLÓGICA
Prof.
Dra. Ana Maria Fonseca Zampieri
F&Z Assessoria e Desenvolvimento em Educação e Saúde Ltda.
PUC-GO
anamfzampieri@uol.com.br
RESUMO: A autora apresenta conceitos sobre traumas e
Transtornos de Estresse Pós-Traumático – TEPT (DSM-IV)
relacionados às catástrofes naturais como fundamentação teórica
para justificar o Programa de Ajuda Humanitária Psicológica (PAHP),
que vem desenvolvendo junto a uma equipe de psicólogos e voluntários
de outras profissões, estes para os trabalhos de logística. Este
trabalho tem parceiros fixos como a F&Z Assessoria e
Desenvolvimento em Educação e Saúde de São Paulo, o Rotary Club de
Butantã de São Paulo e a Pontifícia Universidade Católica de Goiás,
por sua parceria em programa de pós-graduação de terapia psicodramática
construtivista de casais, famílias e grupos, e outros como o CAEP de
Goiânia, o INTERPSI de Brasília e o DELPHOS do Rio de Janeiro. O
PAHP tem como objetivo trabalhar preventivamente com relação ao TEPT
e colaborar efetivamente com forças de resiliência para o
fortalecimento intrapsíquico e interpsíquico de pessoas danificadas
por catástrofes naturais brasileiras. A autora esteve com este
programa em Santa Catarina, nas cidades de Blumenau, Ilhota e Gaspar;
no Maranhão, nas cidades de São Luiz, Rosário, Trizidela do Vale e
Pedreiras; em São Paulo, em Santana do Parnaíba e em Niterói. Foram
atendidas 6 mil pessoas de dezembro de 2008 a setembro de 2010 e
capacitados 180 psicólogos das regiões afetadas por catástrofes,
das cidades supra citadas.
Palavras-chave: catástrofes naturais, Transtorno de
Estresse Pós-Traumático, Programa de Ajuda Humanitária Psicológica
(PAHP), prevenção, trauma, capacitação.
ABSTRACT: The author articulates the notions of Post-Traumatic Stress Disorder (DSM-IV)
and its relationship with natural disasters as a theoretical
foundation for the development of the Program of Psychological
Humanitarian Help (PAHP), which has been developing with a team of
psychologists and volunteers other professionals. This work has a
steady partner the F&Z Consulting and Development in Education and
Health Department, the Rotary Club of Butantã, São Paulo, and the
Pontifical Catholic University of Goiás, for their partnership in the
program graduate therapy of psychodrama constructivist of couples
families and groups. The PAHP aims to work proactively with regard to
PTSD and collaborate effectively with forces resilience to strengthen
intrapsychic and interpsychic of people damaged by natural disasters
in Brazil. Was this program in Santa Catarina, in the cities of
Blumenau, Islet and Gaspar; in Maranhão, the cities of São Luis, Rosário
and Trizidela Valley Quarries; in Sao Paulo, Santana Parnaíba and
Niterói. 6000 people were treated in December 2008 to September 2010
and trained 180 psychologists in the regions affected by disasters in
the cities mentioned above.
Key-words:
natural disasters, post-traumatic stress,
Program
of Psychological Humanitarian Help (PAHP), prevention, trauma,
training.
Quais são os mecanismos fisiológicos e psicológicos usados para
detectar, responder e recuperar eventos altamente estressantes? Esta
é uma grande busca de todos nós, os psicólogos que trabalham com a
psicotraumatologia, que é o conjunto de estudos do estresse traumático.
A psicotraumatologia surgiu de um ramo da medicina: a cirurgia do
trauma, com Donovan em 1991. Atualmente, integra estudos do estresse
traumático, a traumatologia, a vitimologia, os estudos dos traumas
por violações e agressões sexuais, os estudos dos sobreviventes do
holocausto e os estresses traumáticos. Os primórdios deste campo são
encontrados em 1965, quando médicos como Veith (1965) iniciaram suas
publicações sobre a histeria. A partir de Ellenburger, em 1970,
publicaram-se os principais sintomas como: flashbacks, dissociações
e sobressaltos, antes considerados obras dos deuses, do demônio e dos
espíritos, nessa ocasião, vistos, sinais de histeria.
No
Hospital La Salpetrière, de Paris, um famoso estudioso, Jean-Martin
Charcot (1862), foi o primeiro a retirar da doença psicológica e
mental as explicações divinas e espirituais.
Nos
Programas de Ajuda Humanitária Psicológica – PAHP - que fazemos
desde 2008, ainda encontramos pessoas que explicam o sintoma, pós-tragédias,
especialmente as dissociações, como coisa do demônio ou
espirituais. Como exemplo temos a narrativa de Lúcia, nome fictício
de uma desabrigada de Rosário, com 62 anos, no Maranhão, que disse:
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“...
foi tão braba a enchente que os espíritos saíram da
terra... os maus ficam lá no fundo... na lama tudo ficou
misturado... bicho, gente, espíritos... e essa daí... a
vizinha biruta... os demônios ficaram no corpo dela... porque
ela quase se afogou... bebeu água de espírito mau... por
isso ela falou que não sabe onde está... neste abrigo a cabeça
dela tá que é só espírito ruim fazendo confusão... eles
fazem ela gritar de noite, e fica assustada... coitada! ...”
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Importante estudioso de traumas, o psiquiatra argentino Dr. Moty
Benyakar (2005) cita Figley, que em 2001 publicou Origins
of Traumatology and Prospects for the Future, que oferece estratégias
para ajudar as pessoas traumatizadas a mudarem e libertarem-se de seus
sintomas.
Quero
aqui refletir sobre o cuidado que nós, os psicólogos, devemos ter em
não nos limitarmos apenas
aos aspectos observáveis dos eventos catastróficos ou traumatogênicos,
bem como aos sintomas, especialmente do chamado Transtorno de Estresse
Pós-Traumático – TEPT, (Manual Diagnóstico e Estatístico dos
Transtornos Mentais, DSM – IV), mas também às forças e ao
crescimento de pessoas que vivem experiências potencialmente traumáticas.
Precisamos observar como circunstâncias internas e externas das
pessoas e de suas redes sociais, podem constituir as forças que
chamamos de resilientes, pois, após a superação trazem
“empoderamento” às vítimas de catástrofes, por exemplo.
Vejamos
esta narrativa de Suely, nome fictício de uma das abrigadas, em 2008,
em Blumenau, Santa Catarina:
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“...
hoje a idéia de voltar a ter uma casa nossa, onde a gente
possa ter nosso jeito de viver, de ter as nossas idéias de
criar filhos, de ter Deus no coração... eu valorizo tudo de
outras formas, entende? ... eu era muito crítica, preguiçosa
e não sabia dar valor ao que tinha... meus filhos, os três
que tenho... perdi um... a água levou... ele vai me dar forças
para luta por nossa família.”
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O trabalho do
Programa de Ajuda Humanitária Psicológica (PAHP) nasceu desta
concepção: de nossa crença na busca do desenvolvimento de forças
internas dos desabrigados e danificados de catástrofes naturais, para
a construção de entornos de redes sociais e emocionais mais
resilientes.
Baseamo-nos
em teorias e estatísticas de modelos que permitem a prevenção e
tratamento de traumas, eventualmente causados por catástrofes
naturais ocorridas no Brasil, desde 2008.
Já em 1900
a.C., nos primeiros livros de medicina, nos chamados Kunyus Papírus,
no antigo Egito, há descrições de “reações histéricas” nos
soldados.
Antes de
Wolpe (1958) já diziam que logo após uma traumatização ou
sensibilização, onde a pessoa aprende a associar o evento
traumático com o sentimento subjetivo de estresse; se houver a
oportunidade de ocorrer o distresse, eliminar-se-á o estresse e,
assim, psicopatologias futuras. Daí nosso interesse em intervir pelo
menos até quatro meses após uma catástrofe, com o nosso Programa de
Ajuda Humanitária Psicológica, o PAHP. Temos como intento, eliminar
ou minimizar respostas e/ou energias de ansiedade, para permitir às
pessoas danificadas, que se aproximem de uma recuperação.
Os métodos
utilizados no Programa de Ajuda Humanitária Psicológica - PAHP
também incluem a busca da resignificação do entorno interno das
pessoas afetadas, favorecendo situações onde possam se sentir mais
seguras e relaxadas emocionalmente, para enfrentar as decorrências e
lembranças dos temores das catástrofes. Tentamos oferecer recursos
de aprendizagem de controle da, não manutenção das aprendizagens de
reações de estresses, para que as pessoas danificadas por
catástrofes, através de dinâmicas sistêmicas interpessoais e
intrapsíquicas, possam ser ajudadas, além da superação, para o
fortalecimento de suas vinculações para a vida, para a recuperação
e o resgate da saúde, da auto-estima e do sentimento de dignidade em
ser um ser humano.
Etimologicamente
o trauma vem do verbo grego que significa lastimar, exaurir, esgotar e
que denota ferida ou injúria. A sintomatologia do trauma tem sido
estudada e sistematizada por diversos autores como Kardiner e Spiegel
(1947) e Greenac (1952) e Kahn (1957) e destacam a importância da
relação de eventos externos com a realidade interna.
Cito aqui
novamente, Moty Benyakar (2009) que diz que a noção de trauma é
inerente à complexidade da existência humana e que a área da
traumatologia estuda as conseqüências psicossociais mediatas e
imediatas dos eventos disruptivos, que podem ocorrer, por exemplo, nas
catástrofes naturais.
Importantes estudos acerca de traumas têm sido desenvolvidos a partir
das duas primeiras guerras mundiais, do holocausto e da guerra do
Vietnam, entre outras.
Os
primeiros estudos científicos sobre comportamentos em situações de
catástrofes, datam de menos de meio século. William James (1910) e
outros psiquiatras relataram estudos de vítimas do terremoto de São
Francisco em 18 de abril de 1906 e de catástrofes navais nos Estados
Unidos. Também os estudos de Cantril sobre a emissão radiofônica de
Orson Welles, chamada invasão de Marte, de 30 de outubro de 1938 e
Nova Jersy, Estados Unidos.
Há duas
grandes categorias de desastres: as provocadas pelo homem de forma
intencionada como: agressões, guerras, ataques terroristas,
violências sexuais, entre outras.
E as
catástrofes provocadas pela natureza, que podem ser divididas em
previsíveis e imprevisíveis.
Em áreas
onde há furacões, erupções vulcânicas, inundações, a
preparação física e mental da população pode ser diferente dos
casos onde há de terremotos ou incêndios de grandes proporções do
produto global de diferentes áreas geográficas. Embora alguns
desastres possam ser evitados, as pessoas nem sempre estão informadas
e preparadas para lidar com essas situações, geralmente pelo fato de
a maioria destas situações ocorrerem em locais com populações de
baixa renda. Há um grande progresso sobre a aptidão da população
para lidar com estas situações, mas ainda estamos longe de
preparação psicológica adequada.
Uma boa
formação, o fato de que cada um saber o que fazer nestas
situações, quais são as instituições responsáveis para lidar com
esses eventos, lugares aos quais a desenhar, entre outros tem um papel
importante de prevenção mencionada. Capacitação nestes casos,onde
preparar as pessoas para descobrirem os seus próprios recursos para
resolver estas situações.
Neste
Programa de Ajuda Humanitária Psicológica (PAHP) ganhamos como
parceiros inestimáveis, jornalistas da Associação Brasileira de
Jornalistas de Empresas, ABERJE, que, atendendo aos nossos apelos de
apoio para essa educação da população afetada por catástrofes,
criaram o chamado Comunicadores Sem Fronteiras, cuja meta é, através
dos recursos da mídia local, passar informações às pessoas sobre o
funcionamento do PAHP no local, bem como sobre os sintomas esperados
nessas circunstâncias.
Numa
catástrofe natural podemos trabalhar em três momentos especiais: a
fase do pré-impacto, quando se pode avisar a população, com alguma
antecedência; a do impacto propriamente dito e a do pós-impacto,
quando se fazem as avaliações de danos materiais e humanos.
O
Programa de Ajuda Humanitária Psicológica - PAHP trabalha nessa
terceira fase: a do pós-impacto, com a fase de “lua de mel” de
ajudas e solidariedade e quando chegam os auxílios de abrigos,
roupas, alimentos e remédios e a “fase da desilusão”, quando há
interrupção desses apoios e as pessoas podem ter que enfrentar
problemas, que poderão continuar para o resto de suas vidas.
Os
efeitos mentais das catástrofes podem acarretar estresses
pós-traumáticos e gerar sequelas altamente danosas ao
desenvolvimento das futuras gerações. Em contextos sociais
pós-catástrofes, são potencializadas as mazelas da pedofilia, do
abuso sexual intrafamiliar, das agressões dos mais diversos níveis,
do abandono das crianças, do desligamento social dos adultos, do
abandono das atividades cotidianas, da desestruturação da família e
do desaparecimento das perspectivas de futuro.
A idéia
de resiliência significa que de alguma forma, os indivíduos poderiam
escapar de um destino inevitável, se eles foram os fatores que
aumentaram a sua capacidade de suportar o impacto psicológico normal
de um evento. A importância de se estudar a resistência ao impacto
é que pode haver algum tipo de característica ou comportamento que
protege as pessoas que desenvolvem sintomas no curto ou longo prazo o
que pode ser aprendido.
O
Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT) pode-se caracterizar
como uma falha na recuperação causada, em parte, por uma falha na
extinção do medo depois do trauma. Ao estudar o processo de
extinção, podemos informar-nos sobre a etiologia e a persistência
do TEPT. Uma de nossas hipóteses fundamentais é que o TEPT trata-se
de um transtorno causado, em parte, por uma falha na extinção de
reações psicológicas e fisiológicas pós-traumáticas
previsíveis.
Um dos
cuidados que sugerimos ter em nosso Programa de Ajuda Humanitária
Psicológica - PAHP é o de diferenciar o modo como as pessoas serão
chamadas: de vítima ou danificadas? Isso para tentar evitar que, em
se sentindo vítimas, as pessoas fiquem submetidas apenas ao
assistencialismo da sociedade e, passando de serem sujeitos a serem
objetos do social, percam motivações para o fortalecimento de suas
forças internas. Já com o título de danificadas, as pessoas são
vistas e se vêem como afetadas por uma catástrofe com
conseqüências de estresses físicos e psicológicos, mas que podem
colaborar e lutar por suas recuperações. Vejamos estes tais
depoimentos de pessoas com nomes fictícios, que atendemos nos
Programa de Ajuda Humanitária Psicológica - PAHP:
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“... se Deus quis assim... ele vai resolver... o
Governo tem que resolver... a gente aceita o que vier... pode
ser que a gente mereça ou não...”
Josefa, 40 anos,
Maranhão
“... eu quero ser professora e bombeira... como
vocês... e ajudar a salvar as pessoas... e a ensinar que a
gente acreditando tem mais força...”
Iara, 15 anos,
Niterói
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Sabemos desde
os estudos de Bremner (1999) que os estresses causam sérios danos ao
cérebro e, hoje, pesquisas de Roozendaal (2002) relatam que há
disfuncionalidades do hipocampo e da amígdala.
Planejar um
Programa de Ajuda Humanitária Psicológica - PAHP deve conter a
preocupação de toda a equipe: de psicólogos a voluntários de
outras profissões, para o desconhecido. É necessário que se
desenvolva, em um ritmo veloz, equipes com pessoas altamente
capacitadas no tema, com grande flexibilidade em sua ação e com
potencialidades de inovar e recriar estratégias ante as demandas
diversas, desde que não percam sua solidez técnica e teórica.
Temos o
cuidado, neste Programa de Ajuda Humanitária Psicológica - PAHP, de
sempre ter nas equipes um psicoterapeuta de plantão, que não vai a
campo, mas atente os profissionais todas as noites, no retorno dos
trabalhos. Isso objetiva evitar e/ou minimizar as chamadas: síndromes
da compaixão, com relações altamente transferênciais, de perda de
referência de limites e alcances de ajuda entre os integrantes do
Programa de Ajuda Humanitária Psicológica - PAHP e os danificados.
E, ainda, para evitar as chamadas traumatizações secundárias.
Vejamos o depoimento de uma psicóloga e de um desses PAHP; de nome
fictício Francine em Guaraciaba, em Santa Catarina, em 2010:
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“...
eu ali estava na frente de um homem congelado, paralisado, com
uma chave de fenda na mão... a única coisa que sobrou da sua
casa, que o tornado levou... fiquei muda e igualmente
paralisada... eu não sabia o que fazer... e pensei que ele
ainda tinha uma ferramenta nas mãos... e eu, nenhuma. Eu me
sinto frustrada, impotente e incapaz... duvido de minha
capacidade de ser psicóloga...”
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É fundamental que a equipe do Programa de Ajuda Humanitária Psicológica
- PAHP, de psicólogos e voluntários, saiba que estamos trabalhando não
com enfermos que nos buscaram, mas com pessoas, a princípio sadias
que, de forma abrupta enfrentam situações altamente patológicas. E
que, além disso, há patologias emergentes, que são silenciosas.
Os Programas de Ajuda Humanitária Psicológica - PAHP sempre são
contextualizados às culturas locais.
Ressalto que não apenas as pessoas danificadas diretamente e que
perderam seus lares, precisam de um trabalho psicológico, mas, também,
seus familiares e todos os envolvidos no evento, como: socorristas, médicos,
enfermeiros, bombeiros, militares, policiais e voluntários, entre
outros. Além, é claro, da equipe do Programa de Ajuda Humanitária
Psicológica - PAHP, com atendimentos psicoterapêuticos e de supervisão
diários.
Nosso Programa de Ajuda Humanitária Psicológica - PAHP está
dirigido ao trabalho psicológico com comportamentos individuais e
coletivos. Nos primeiros, trabalhamos com os estados de ansiedade, fóbicos,
depressivos e, algumas vezes, psicóticos. Nos segundos, com pânicos
coletivos, êxodos, violências, defesa com agressividade, agitações
desordenadas ou, até, a possibilidade de suicídios coletivos.
Este programa observa, em sua proposta metodológica de diagnóstico,
em quais fases as pessoas, em pós-catástrofe, estão, como: de
choque, de reações emocionais impulsivas e violentas, e de resolução,
quando o medo se acalma e se recuperam autocríticas e possibilidades
de reorganização social. Além disso, pedimos ajuda e apoio locais
para efetivar encaminhamentos possíveis às pessoas em risco; as
possibilidades do ambiente social e os recursos médicos, psicológicos
e psiquiátricos existentes.
Os métodos utilizados neste Programa de Ajuda Humanitária Psicológica
- PAHP são: os Sociodramas Construtivistas de Catástrofe e de
Reconstrução (Zampieri, 1996) feitos com grupos e respectivamente no
início e no final do Programa local; os atendimentos em Protocolos
Grupais Interativos com EMDR (Eye Moviment Desensitization and Resprocessing de Shapiro, (2000);
Ignácio Jarero e Lucinda Artigas, (1999) e John Hartung, (1999) com
grupos específicos de: crianças, adolescentes, adultos, idosos,
casais e famílias; com Debriefing
(Mitchel, 1974) também para grupos e com EMDR (Shapiro, 2000) para os
atendimentos individuais e mais graves.
O tempo do Programa de Ajuda Humanitária Psicológica - PAHP varia de
7 a 10 dias em primeira intervenção e de 2 a 3 dias na fase de
seguimento e supervisão. Pode ter de uma a seis etapas, dependendo
das necessidades locais.
Um dos trabalhos do Programa de Ajuda Humanitária Psicológica - PAHP
é a capacitação simultânea dos psicólogos locais para viabilizar
os atendimentos a posteriori. Já desenvolvemos o Programa de Ajuda Humanitária
Psicológica - PAHP desde 2008 em Santa Catarina, nas cidades de
Ilhota, Gaspar, Blumenau e Guaraciaba; em São Paulo, em Santana do
Parnaíba; no Maranhão, nas cidades de São Luis, Rosário, Trizidela
do Vale e Pedreira; e na cidade de Niterói. Estamos com projeto para
Programa de Ajuda Humanitária Psicológica - PAHP em Alagoas e
Pernambuco, para ainda, este ano.
Atendemos seis mil pessoas e capacitamos 180 psicólogos junto ao
Rotary de Blumenau dos locais das tragédias.
A experiência do Rotary Club São Paulo – Butantã neste trabalho
começou em dezembro de 2008, quando organizou a ida de um grupo de 31
psicólogos ao Vale do Itajaí (SC), região devastada pelas enchentes
de novembro de 2008. O grupo atendeu 1.200 vítimas da catástrofe e
formou 43 profissionais locais.
O mesmo trabalho foi repetido em maio de 2009, no Maranhão, após as
enchentes que destruíram pequenos municípios no interior do Estado.
Em cada caso, o projeto do Rotary conta com a ajuda de muitos rotários
e de entidades locais – como ocorreu em Santa Catarina e no Maranhão,
com o apoio da Federação das Indústrias do Estado (FIESC e FIEMA),
do Serviço Social da Indústria (SESI) e de entidades de Ensino
Superior (FURB e UNICEUMA), além da Força Aérea Brasileira (FAB).
Estas estratégias grupais em catástrofes para prevenção de
estresses pós-traumáticos foram chamadas pela mídia de Blumenau, em
2009: “Abrigos para almas” e inclui o treinamento de 60 horas,
para psicólogos, médicos e assistentes sociais da rede pública e do
grupo de voluntariado rotariano, para a manutenção dos atendimentos
à população.
Nesta V Mostra de Produção Científica da Pós-Graduação Lato
Sensu da PUC-GO, que ocorrerá dia 22 de outubro de 2010, queremos
colaborar, no intuito de favorecer o crescimento de todos, oferecendo
uma capacitação para os psicólogos presentes, que, em forma de um
mini curso de 4 horas, possa dar-lhes instrumentação técnica e teórica
do Debriefing (Mitchel,
1934), um dos protocolos utilizados nos Programas de Ajuda Humanitária
Psicológica (PAHP). Entendemos que esta pode ser mais uma
oportunidade de construir, além da conscientização, uma capacitação
que favoreça novas prontidões para novas intervenções em catástrofes
naturais, o que, infelizmente, está previsto nos estudos sobre previsões,
de especialmente inundações, em nosso país.
As parcerias da F&Z Assessoria e Desenvolvimento em Educação e
Saúde com o CAEP de Goiânia e a PUC-GO, promovem a socialização e
a divulgação desta forma de conhecimento, que, sem dúvida, é
pertinente ao tema desta mostra: Ciência para o Desenvolvimento
Sustentável. E sem dúvida, não poderíamos desenvolver todo este
trabalho sem o apoio do Rotary.
Uma Psicologia para a humanidade é um compromisso de cidadania e de
comprometimento da ciência nesta era pós-moderna.
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