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Há na
nossa sociedade atual, crenças de que o homem executivo ou a mulher
executiva terão necessariamente, como conseqüências de suas
carreiras brilhantes, o estresse, o afastamento do cônjuge e dos
filhos, perdas afetivas de amigos de antes de seu sucesso
profissional, cobranças de irmãos e pais menos bem sucedidos,
crises de infidelidades sexuais pela onipotência gerada pelo poder
e a dificuldade em lidar com ele sem “se perder”, egocentrismo e
prepotência, entre outros. O
perigo da generalização existe indubitavelmente. Sejamos
cautelosos e lembremo–nos de que cada pessoas é única e não
cabe em nenhum diagnóstico pré-estabelecido. Todavia,
na prática clínica, há recorrentes queixas de familiares desses
profissionais e às vezes dos próprios, que estão bem perto
das descritas acima. Os
profissionais muitas vezes, excessivamente auto e hetero exigidos
por um mundo tão competitivo, podem ter na solidão “no meio da
multidão” um dissabor existencial inesperado. Podem ter tanta
exigência externa que seus “auto diálogos” se esvaem e muitos
não sabem ficar sem trabalhar. As queixas de aumento de ingestão
de bebidas alcoólicas nos fins de semana especialmente, das
dificuldades no ócio, das síndromes de angústias de “domingo”
e das férias e feriados, são freqüentes. Há queixas de
verdadeiros sintomas de abstinência se ficam sem celulares ou note
books ou algo que os mantenha “permanentemente conectados”. Alguns jovens
executivos, com queixas sexuais, demoram a entender que o estresse
diário afeta seu desejo e performance e tentam buscar em parcerias
novas e excitantes, resoluções para o tédio de ter cônjuges
eternamente cobradores e carentes deles. Muitas vezes a busca maior
não é a sexual, mas uma parceria mais intima e relaxante. Há
um erro em considerar que o melhor profissional é o que não pode
ter vida livre para cuidar-se, fazer atividades físicas e de
lazer, ter espaço para refletir sobre o sentido mais amplo de sua
existência, ter a cada dia uma possibilidade de desfrutar o privilégio
de viver em harmonia consigo próprio e no bem estar comum. O
sucesso deverá estar em pelo menos quatro níveis: psicológico/emocional/sexual,
físico/clínico, sócio/familiar, profissional e espiritual (como
ser humano, não necessariamente religioso). Claro
que estes âmbitos são dinâmicos. Mas precisamos de uma dança
harmoniosa entre eles, para fazer sentido o sucesso do trabalho. Caso
contrário, estaremos submetidos a uma escravidão sutil onde não
estão claros os dominadores e os escravizados. Quando saio à noite
do BCP, tenho o hábito de olhar as luzes acessas daqui. São a
maioria. Penso em minha família que me espera em casa, na minha
vida como um todo e nas pessoas admiráveis que são meus vizinhos
aqui. E torço para que se cuidem. Para que nos cuidemos.
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