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O sucesso do executivo. Qual sucesso?

Publicado no Jornal do Brascan Century Plaza
Prof. Dra. Ana Maria Fonseca Zampieri
Sexóloga e terapeuta de casais e famílias.
Mestre e doutora em Psicologia Clinica.
C
j 2108 da BCP

Há na nossa sociedade atual, crenças de que o homem executivo ou a mulher executiva terão necessariamente, como conseqüências de suas carreiras brilhantes, o estresse, o afastamento do cônjuge e dos filhos, perdas afetivas de amigos de antes de seu sucesso profissional, cobranças de irmãos e pais menos bem sucedidos, crises de infidelidades sexuais pela onipotência gerada pelo poder e a dificuldade em lidar com ele sem “se perder”, egocentrismo e prepotência, entre outros.  

O perigo da generalização existe indubitavelmente. Sejamos cautelosos e lembremo–nos de que cada pessoas é única e não cabe em nenhum diagnóstico pré-estabelecido.  

Todavia, na prática clínica, há recorrentes queixas de familiares desses profissionais  e às vezes dos próprios, que estão bem perto das descritas acima.

Os profissionais muitas vezes, excessivamente auto e hetero exigidos por um mundo tão competitivo, podem ter na solidão “no meio da multidão” um dissabor existencial inesperado. Podem ter tanta exigência externa que seus “auto diálogos” se esvaem e muitos não sabem ficar sem trabalhar. As queixas de aumento de ingestão de bebidas alcoólicas nos fins de semana especialmente, das dificuldades no ócio, das síndromes de angústias de “domingo” e das férias e feriados, são freqüentes. Há queixas de verdadeiros sintomas de abstinência se ficam sem celulares ou note books ou algo que os mantenha “permanentemente conectados”.

Alguns jovens executivos, com queixas sexuais, demoram a entender que o estresse diário afeta seu desejo e performance e tentam buscar em parcerias novas e excitantes, resoluções para o tédio de ter cônjuges eternamente cobradores e carentes deles. Muitas vezes a busca maior não é a sexual, mas uma parceria mais intima e relaxante.

Há um erro em considerar que o melhor profissional é o que não pode ter vida livre para cuidar-se, fazer atividades físicas e de lazer, ter espaço para refletir sobre o sentido mais amplo de sua existência, ter a cada dia uma possibilidade de desfrutar o privilégio de viver em harmonia consigo próprio e no bem estar comum.

O sucesso deverá estar em pelo menos quatro níveis: psicológico/emocional/sexual, físico/clínico, sócio/familiar, profissional e espiritual (como ser humano, não necessariamente religioso).

Claro que estes âmbitos são dinâmicos. Mas precisamos de uma dança harmoniosa entre eles, para fazer sentido o sucesso do trabalho.

Caso contrário, estaremos submetidos a uma escravidão sutil onde não estão claros os dominadores e os escravizados.

Quando saio à noite do BCP, tenho o hábito de olhar as luzes acessas daqui. São a maioria. Penso em minha família que me espera em casa, na minha vida como um todo e nas pessoas admiráveis que são meus vizinhos aqui. E torço para que se cuidem.  Para que nos cuidemos.



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